01/08/2022

Champagne Philipponnat e o gosto bom da vida…

Categoria:  Acima de R$ 300, Degustação, Espumante, Importado
Champagne Philipponnat Royale Reserve Brut

Contextualizando

Champagne é o que chamam de bebida do sucesso. Estereotipado ao máximo, é só um vinho, mas representa mais do que isso: bebê-lo é como dizer “é isso aí, cheguei lá”.

Infelizmente, parte dos estereótipos sempre escondem alguma parcela de verdade. E basta uma análise fria para concluir que o champagne é realmente uma bebida burguesa no Brasil. É um vinho pra poucos. E não teria como afirmar outra coisa, considerando que uma garrafa não sai por menos de R$300. Fora os rótulos impagáveis que giram em torno de 4 dígitos e que adornam algumas prateleiras como verdadeiras obras de arte.

Mas o que faz o Champagne ser uma bebida tão cara?

Só o marketing e a tradição já fazem a balança pender forte pro lado do preço. Coincidentemente, enquanto eu fazia esse post, saiu uma entrevista de Clément Pierlot – chef de cave do Champagne Pommery – na Drink Business, na qual ele chancela esse poder da bebida no setor.

Mas existem algumas questões objetivas na jogada e que deveriam ser levadas em consideração:

  • Oferta e demanda: segundo a Revista Adega, a região de Champagne compreende pouco mais de 33,5 mil hectares divididos entre 15 mil viticultores. São 349 casas, 43 cooperativas e 4.651 produtores fazendo 386 milhões de garrafas por ano. Como a oferta é limitada e a demanda só cresce, volta e meia se fala numa expansão de locais de cultivo e na inclusão de mais vilarejos produtores de uvas para champagne. Enquanto isso, os preços vão se pautando pela exclusividade desses vinhos no mercado.
  • Investimento: a região possui uma das terras mais caras do mundo, de forma que o investimento inicial, sobretudo pra pequenos produtores, é imenso e só se paga décadas à frente. Mas o investimento não cessa nunca: a região fria demanda cuidados o ano todo e pode sofrer muito com temperaturas extremas, chuvas, fungos e geadas, os quais são capazes de destruir uma parte significante da safra, como aconteceu em 2021. Todos os custos – do cultivo e da colheita à produção – estão embutidos no preço final.
  • Processo produtivo: as rígidas normas de qualidade que determinam, por exemplo, as castas permitidas e o rendimento máximo, norteiam os viticultores locais pra garantir a régua altíssima. O processo de produção dos Champagnes em si costuma ser mais demorado e custoso do que muitos outros espumantes do mercado, o que eleva não só o preço dos estilos mais básicos, mas também dos distintos Vintage e Cuveé Prestige.

Por aqui, ainda tem mais uma variável importante: a carga tributária. Atualmente, a que incide sob os espumantes é de 59,49%. Pouco? Pra alguns produtores e especialistas brasileiros sim. Há 2 anos, no auge da pandemia, algumas associações de vinho enviaram uma carta para o atual Ministro da Economia, a fim de ressuscitarem as salvaguardas, que são uma espécie de medida de proteção ao produto nacional. Nessa oportunidade, solicitaram um aumento dos impostos e a instauração de barreiras aos vinhos importados, em face de supostos prejuízos que sofreram por conta do Covid. Isso, no ano em que o brasileiro mais consumiu vinhos e mais rendeu lucro pro setor…

Após vários portais darem luz ao caso, houve um certo rebuliço nas redes e alguns dos autores da carta negaram que essa era a sua intenção, embora o teor do documento tenha caído em domínio público e revelado que, intencionalmente ou não, muitos pontos nele descritos davam a entender exatamente o que foi entendido.

Então, respondendo a pergunta: salvo todas as coisas que poderiam justificar o Champagne ser uma bebida burguesa no Brasil, é certo que a mentalidade gananciosa de alguns profissionais do setor não ajuda na quebra de nenhum dos estereótipos, pelo contrário: só complica, só os endossa. E viva o lobby!

Sobre o produtor

Facebook Champagne Philipponnat

Créditos: Facebook Champagne Philipponnat

As anotações da importadora Clarets sobre o produtor valem a reprodução.

Em suma, a história da Philipponnat data de 1522, quando a família já possuía vinhas na região de Champagne. É tão antiga a sua jornada que, na época de Luiz XIV, a família já era um das fornecedoras de vinho da corte francesa.

O coração da Philipponnat está em 5,5 hectares de terras em Mareuil, no chamado Clos de Goisses (expressão que, no dialeto local, significa “encosta íngreme” e se refere à inclinação de 45º e face sul desses vinhedos). Mas a Maison, ao todo, tem cerca de 20 hectares de vinhedos, todos em classificação Grand ou Premier Cru e nas áreas francesas de Aÿ, Mareuil e Avenay.

Segundo a importadora, a abordagem na gestão das vinhas é a mais natural possível e os vinhos de reserva permanecem em barricas de carvalho em um processo de solera. No geral, os Champagnes Philipponnat ficam de três a onze anos envelhecendo em caves históricas.

Na ficha técnica, o produtor informa que o Champagne Royale Réserve Brut é um blend entre Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier “de cor dourada profunda com reflexos âmbar, tem espuma delicada, viva e persistente. De primeira, revela no nariz os aromas de flor de videira, tília e pão fresco levemente torrado. Depois do vinho respirar, desenvolvem-se aromas de frutas de verão, frutas cítricas e mel. Um fino ataque na boca, frutado (groselha, framboesa e uva madura), encorpado, generoso e longo. Final de boca com leves notas de biscoito e pão fresco”. (tradução livre)

Degustando o Champagne Philipponnat Royale Réserve Brut

Champagne Philipponnat Brut

É um champagne de aromas frutados – sinto muita casca de abacaxi maduro, pera e pêssego – além de flores brancas, nozes, casca de brioche e pão torrado. É seco, embora traga uma sensação de doçura. É cremoso, tem uma acidez aguda, corpo médio e um sabor longo e intenso. Um final de boca muito marcado não só pelo pão, mas também por frutas cítricas.

Ele é vibrante, fresco e muito gostoso. Do tipo que provoca a boca e que te faz salivar. Champagnes são desses vinhos que, ao sentir os aromas, a boca já enche d’água. E mesmo sem ter bebido a primeira taça, já dá vontade de repetir. A única parte do corpo que sofre com o Champagne é o bolso, porque, de resto, é puro prazer.

Paguei R$666 por ele na Clarets.

Se você quiser ver outras degustações do blog é só clicar aqui.

E se você já experimentou o Champagne Philipponnat Royale Réserve Brut, avalie aqui embaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas
(Esse vinho ainda não foi avaliado)
Loading...


Categorias