24/11/2020

Rosés e as ignorâncias no mundo dos vinhos

Categoria:  Degustação, Entre R$ 200 e R$ 300, Importado, Vinho Rosé

Por: Tamine de Moraes
vinho rosé Saint Felicien 2019

Saint Felicien Rosé 2019, Catena Zapata, Mendoza/Argentina

“Ah, mas eu já bebi vários vinhos rosés e achei bem sem graça”.

Beleza, então pra ter graça o vinho tem que ser o que? Intenso e amadeirado? Porque se bastar ele ser agradável e correto, eu conheço vários rosés que são.

Na real, esse desdém todo pelos rosados é muito mais pela proposta do estilo do que por sua qualidade. Boa parte dos rótulos à venda oferecem delicadeza e frescor e, embora haja exceções (e boas exceções!) à essa regra, elas nem chegam ao conhecimento do consumidor médio. O clichê “rosé é tudo igual” ainda é mais forte do que a curiosidade sobre as suas nuances.

É difícil discutir sobre gosto, mas é bastante óbvio que a diversidade de rótulos pode ser tão atraente quanto o nosso queridíssimo vinho de sempre. Não é um ou outro: é um e outro. Alternar os estilos, ir de um Jerez pra um Malbec, de um espumante Moscatel pra um Champagne, de um Porto pra um Tannat é um jogo muito gostoso. Variar faz bem e o nosso paladar não deve ser mimado com sabores familiares o tempo todo. Desafiá-lo é uma tarefa que deveria ser estimulada desde a infância e seguir por toda a vida.

E falando dos rosés, eis que o escolhido do dia foi o Saint Felicien Rosé 2019. Ele é assinado pela famosa Bodega Catena Zapata. Mas antes de falar dela, é preciso falar da figura de Nicolás Catena, membro da terceira geração da vinícola e o homem que influenciou a história da indústria do vinho argentino. Influenciou, sobretudo, por ter visão de mercado e entender bem como ele funciona. O marco da sua trajetória aponta para a década de 80, quando, ao visitar o Napa Valley e conhecer a vinícola de Robert Mondavi, bebeu vinhos cuja proposta o encantou e o fez perceber que era possível fazer excelentes vinhos, tão bons quanto os vinhos do Velho Mundo. Aprendeu técnicas que lhe permitiram voltar a seu país e trabalhar no cultivo de algumas variedades francesas, como Cabernet Sauvignon, Chardonnay e, claro, a Malbec. E foi com essa última que exitou ao alcançar vinhos florais e equilibrados que caíram nas graças do mercado internacional. O sucesso é tão grande que eu mesma conheço um número sem fim de pessoas que prefere os Malbecs argentinos mais do que qualquer outro vinho no mundo.

Hoje, a Bodega Catena Zapata é um dos destinos enoturísticos mais visitados pelos bebedores de vinhos. Ano a ano está figura entre as melhores vinícolas do mundo. Elogiadíssima pelos críticos, sobretudo por Robert Parker, a vinícola conta com uma ampla linha de vinhos, entre eles o Saint Felicien, Catena, Angelica Zapata, Catena Apellation, Catena Alta, DV Catena, Adrianna Vineyard, Nicasia Vineyard e os caríssimos Nicolas Catena Zapata, sem contar a linha El Enemigo e Gran Enemigo, frutos de um projeto pessoal do enólogo da casa, Alejandro Vigil, e de Adrianna Catena, filha de Nicolás Catena.

O Saint Felicien não era visto no Brasil até algum tempo atrás. Hoje é comercializado pela Mistral e pipoca nas redes sociais com força.

No site da vinícola, encontrei apenas a descrição do Saint Felicien Rosé da safra 2017. Numa tradução livre: é um vinho fresco, cor rosa pálido com reflexos acobreados. No nariz, apresenta ervas mediterrâneas, com notas de tomilho, flor de laranjeira e pimenta rosa, além de morango e toranja. Na boca é fresco, elegante e ligeiro. As notas florais e frutadas deixam uma ampla e grata recordação. Pra complementar as informações, fui no site da Mistral. Lá, a importadora diz que pouco mais de 600 caixas deste fantástico rosé são produzidas por ano. O genial enólogo Alejandro Vigil combinou as castas Grenache, Syrah e Malbec, vinificando este aromático rosado usando maceração carbônica – a vinificação usada nos vinhos de Beaujolais – por 6 horas. O rosado mostra aromas florais, de frutas do bosque e ervas. A luxuosa garrafa é uma atração à parte, fazendo do vinho um belíssimo presente!.

Saint Felicien Catena Rosé
Saint Felicien Rosé

As impressões que tive: é um rosé delicado, com aromas frutados (morango e grapefruit surgem à mente), além do toque de ervas frescas (tomilho e alecrim). Ele é seco, tem corpo médio, boa persistência e boa acidez. Senti um retrogosto de fruta mais evoluída e, por ser meu primeiro contato com o vinho, isso me fez pensar se essa era a proposta da bebida ou se essa característica poderia estar acentuada no paladar por conta do seu armazenamento.

No geral, achei o vinho simples, apesar do que sugere a sua apresentação. Ele é fácil de beber e não proporciona maiores emoções, o que não é ruim, já que nem sempre estou em busca disso.

Quando a comida chegou, a experiência mudou. Os frutos do mar (peixe, vieira, polvo, camarão e lulas cozidos e banhados em azeite) lá do Casa Europa deram tão certo, mas tão certo, que o almoço simples virou um evento. Foi uma delícia de combinação!!

Vinho rosé Saint Felicien
Rosés frutos do mar

O vinho custa hoje R$251,39. Apesar da experiência ter sido bacana, o custo-benefício infelizmente não é bom.

Outras opções de vinhos rosés? É só clicar aqui.

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