18/08/2020

Um vinho espanhol e o susto do delivery!

Categoria:  Degustação, Entre R$ 200 e R$ 300, Importado, Vinho Tinto

Por: Tamine de Moraes
vinho espanhol Camins del Priorat

Camins del Priorat 2016 – Alvaro Palacios, Priorato/Espanha

Lembro desse programa americano famoso que reprisava no começo da tarde. Era uma disputa culinária com provas que mudavam a cada episódio. Um dos desafios que assisti era o de criar um prato pra ser entregue via delivery. O foco dos times era o mesmo: o ponto dos ingredientes e qual seria a embalagem mais adequada.

Parece besteira, mas a comida que sai da cozinha não balança na mão do garçom como balança sobre rodas. E ela costuma ser empratada e não abafada dentro de uma caixa.

Este post começa assim porque planejar uma harmonização de vinhos precisa de cuidado. E, nesses tempos de pandemia, o que me resta é contar com o meu fogão ou ir de delivery. Se vou de fogão, as minhas habilidades culinárias são limitadas e sei que não vou conseguir ir muito além do básico. Se escolho a segunda opção, logo considero os riscos, porque nem todas as comidas viajam bem e nem todos os restaurantes conseguem garantir a qualidade do seu produto depois dele circular 20 minutos por aí.

Pra este vinho espanhol, eu escolhi a opção delivery.

Isso foi há alguns sábados atrás. Acordei cedo, deixei as taças limpas, o vinho já estava a postos e os pratos foram solicitados, pagos e estavam sendo preparados.

Antes do drama, falemos do vinho: um rótulo assinado por Alvaro Palacios, um enólogo e produtor de vinhos da região de Rioja Baixa, na Espanha. Palacios estudou e trabalhou em Bordeaux, além de ter em Napa Valley um dos capítulos de sua jornada. Apesar das experiências no exterior, é na Espanha que a sua trajetória profissional ganhou expressão. Seu famoso L’Ermita é um dos vinhos mais caros do país e é disputado à tapa pelos enófilos mais endinheirados. Apesar desse ícone, foi por conta da qualidade de seu trabalho como um todo que Palacios levou o título de “Homem do Ano” pela revista Decanter em 2015. E, nesse mesmo ano, a revista Paladar editou um especial falando sobre o produtor e sobre as suas joias rotuladas. Vale muito a leitura.

O Camins del Priorat 2016 é um blend das uvas Carignan (60%), Garnacha (30%), Cabernet Sauvignon (10%) e Syrah (10%), feito a partir de uma vinificação tradicional, com controle de temperatura e amadurecimento em barricas de carvalho por 4 meses. Segundo a Mistral, importadora responsável por trazer o vinho pro Brasil, esse tinto é rico, cheio de fruta, com um toque mineral e a inigualável assinatura de Alvaro Palacios, é perfeito para acompanhar comida.

Não sei quando a descrição acima foi feita, mas as impressões que tive do vinho foram diferentes, já que os aromas terciários estavam bem evidentes: sim, além da ameixa e do chocolate, senti couro, balsâmico e uma flor mais murcha. Ele é seco, de médio para encorpado, com taninos finos, final longo e com uma boa acidez. O retro-olfato é marcado pela fruta e pela flor.

Camins del Priorat Alvaro Palacios
Camins del Priorat

Ele me surpreendeu positivamente, principalmente porque seus 14,5% de álcool não saltam à boca. Eu curto bastante vinhos mais evoluídos, então foi um prazer bebê-lo e conferir suas particularidades. Não acho que ele mereça mais tempo de garrafa: pra mim, ele está no ponto.

Feita a degustação, vamos à harmonização: pedimos dois filés com aligot, especialidade do restaurante Dalva e Dito. Apesar de ser um prato composto pelo aligot, carne e um molho espesso, o prato veio embalado em apenas um único pote. Resultado: o molho banhou o aligot, que engoliu a carne e tudo virou uma coisa só. Não era um prato barato e nem estava ruim, por isso não foi (e nem seria) desperdiçado. Só que os minutos seguintes à entrega foram um verdadeiro “se vira nos 30”: tiramos as panelas do armário, raspamos os dois aligots para conseguir extrair, pelo menos, uma porção pra foto. Os dois filés foram pra frigideira e a parte do molho que foi limpa e salva serviu pra regar as duas peças. Tudo muito longe do ideal, mas foi o que deu pra fazer.

A harmonização em si correu bem. Os filés estavam saborosos e combinaram com as texturas delicadas do vinho que, honestamente, dispensava uma carne gordurosa. Tanto o perfil aromático da bebida quanto a sua estrutura pediam um prato como esse. Por sorte, deu tudo certo.

Harmonização carne e vinho
Vinho tinto carne harmonização

O vinho custou R$251,05 na Mistral. É um bom vinho espanhol.

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