05/10/2020

Uma taça cheia de Morgon!

Categoria:  Degustação, Entre R$ 100 e R$ 200, Importado, Vinho Tinto

Por: Tamine de Moraes
Beaujolais Morgon Roland Pignard

Morgon 2014 – Roland Pignard Vigneron, Beaujolais/França

Já perdi as contas de quantas vezes ouvi alguém dizer “ah, mas eu não gosto de vinho tinto, é muito forte”. Ou então o famosíssimo “não gosto de vinho branco, acho sem graça”.

Acontece que há uma variedade tão grande de aromas, de sabores e de texturas de vinhos que não dá pra relacionar uma única característica a um estilo específico. Tudo pode se combinar de forma tão diferente que, dentro de uma mesma categoria, é possível encontrar algumas opções mais intensas do que outras, mais ou menos doces, mais ou menos salivantes, mais ou menos aromáticas, etc. etc.

A simplificação prejudica a descoberta de novos rótulos. Principalmente porque, no mundo dos vinhos, esse reducionismo vai além dos estilos: a origem e o preço são frequentemente usados como parâmetros absolutos para atestar a qualidade de um rótulo. Origem e preço não atestam nada. Tem vinho gostoso no Brasil? Tem. Mas tem muito vinho ruim também. Tem coisa incrível no Velho Mundo e tem muito engodo engarrafado. Já bebi vinho caro bom e já degustei alguns rótulos de mais de mil reais que não valiam sequer dois dígitos. Tem vinho barato que é imbebível, assim como tem vinhos que mereceriam custar muito mais pelo que entregam.

Maldizer um vinho porque ele não tem renome ou porque ele é barato ou porque você bebeu um único exemplar do estilo e não gostou são atitudes lamentáveis. Não faça isso.

Feito o desabafo, passo para o tinto de hoje: esse Morgon foi comprado durante a primeira feira de vinhos da importadora De La Croix.

Um pouco da sua história antes da degustação: segundo a importadora mencionada, o Domaine Roland Pignard é uma referência em vinhos orgânicos e biodinâmicos da região de Beaujolais. A propriedade se estende sobre três apelações: Morgon, Régnié e Beaujolais Villages. Os 4 hectares são cuidados minuciosamente por Roland e sua esposa, Joëlle. Roland é um apaixonado pela natureza e pelas vinhas e por isso toda a sua produção é orgânica e biodinâmica, permitindo que suas uvas se expressem ao máximo e com toda a autenticidade de cada um dos terroirs que cultiva.

No site oficial do Domaine, eles explicam que os cachos da Gamay passam por um processo de 9 dias de maceração. Debaixo do manto rubi profundo está um vinho generoso e amplo com taninos persistentes e aromas herbais. Ele vai bem com carne vermelha e pode ser desfrutado na sua juventude ou guardado pra que possa evoluir (tradução livre).

Bom, as impressões foram as seguintes: é um tinto aromático, com notas de cereja madura e framboesa, além de flor, tabaco e uma nota balsâmica. Ele tem corpo médio, taninos finos, média persistência e uma boa acidez. No retro-olfato, a fruta e uma nota defumada bem curiosa ganharam evidência.

Morgon Domaine Pignard
Beaujolais Morgon

Ele é um exemplo de vinho que foge do clichê que se faz sobre o estilo. Se um fã de tintos o comprasse esperando intensidade, certamente se surpreenderia, já ele entrega o oposto: é fácil de beber e está mais pra despretensioso do que pra complexo. “É do tipo que dá pra beber de golão” foi uma das frases repetidas durante a análise.

Superada a degustação, chega a vez da harmonização. Mais um dia de delivery e fomos de Modern Mamma Osteria. Uma lasanha all’amatriciana e um farto rigatoni com porcini fresco, pancetta, cebola roxa e creme de pecorino. O sabor da lasanha era bastante intenso e defumado, o que roubou totalmente a cena. Já com o rigatoni, a combinação foi um pouquinho mais equilibrada e isso rendeu um sorriso a mais. Na próxima, eu tentaria partir pra molhos menos potentes ou, ao menos, numa quantidade mais moderada pra combinar com esse Morgon.

Harmonização massa e vinho
Vinho tinto massa harmonização

Há um ano, o vinho custou 158 reais direto na loja da importadora. Nas buscas que fiz hoje, não o encontrei no catálogo do site.

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Se você já experimentou o vinho Morgon 2014 do Domaine Roland Pignard, avalie aqui embaixo.

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