30/11/2016

Vinhos como o do Porto…

Categoria:  Artigo

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Quando se quer falar sobre vinhos licorosos, é muito mais fácil falar “vinho do Porto” para conquistar aquela expressão de entendimento que se espera. Sim, são aqueles mais doces, intensos e bem alcoólicos!

Obviamente que nem todo vinho com essas características é um vinho do Porto. Para achar algum exemplar semelhante, por vezes, é necessário conhecer as definições e as expressões que o identificam como tal, a fim de evitar confusões e aquisições frustradas.

Faz diferença saber mais sobre esse tal vinho doce, intenso e alcoólico? Sim, faz muita diferença, até porque, de todas as variedades que existem, essa é uma das mais interessantes que tem!

Como é feito esse tipo de vinho?

Bom, no Brasil, a legislação trata esse tipo de vinho como licoroso e seu processo de vinificação se diferencia dos clássicos brancos e tintos pois, quando esse vinho está na fase da fermentação alcoólica, esta é interrompida pela adição de um composto alcoólico, normalmente uma aguardente vínica, o que resulta num mosto concentrado, forte e doce.

Mais especificamente, a lei brasileira dispõe que o teor alcoólico ou adquirido desses vinhos varia entre 14% a 18% e é permitido o uso de álcool etílico potável de origem agrícola, mosto concentrado, caramelo, mistela simples, açúcar e caramelo de uva. Mas essa regulamentação vale, apenas, para os vinhos licorosos nacionais. As regras mudam bastante de país para país e é possível haver alguma variação no processo de vinificação, no teor alcoólico e no tipo de substâncias empregadas em cada região.

Em termos de denominação, os anglo-saxões definem esses vinhos como fortificados e, em uma parte específica da Europa, na Península Ibérica (composta pela Espanha, Portugal, França, Andorra e Gibraltar) é possível encontrar alguns dos mais famosos exemplares dessa categoria: os que possuem uma denominação de origem controlada (DOC). O teor alcoolico destes varia em torno de 19% a 22% (para os tintos) e no mínimo 16,5% (para os brancos) e há, para eles, um protocolo restrito de produção. Esses vinhos são chamados particularmente de “vinhos generosos” e os exemplos mais famosos são o vinho do Porto, o Jerez e o vinho Madeira.

Então não posso dizer que o vinho do Porto é um vinho licoroso?

O vinho do Porto, tecnicamente falando, é um vinho generoso, mas como não existe esse termo no Brasil, pode-se entender como licoroso, já que, de todas as outras variedades de vinhos regulamentadas no país, os vinhos licorosos são os que mais se assemelham.

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Sobre o vinho do Porto: Ele é produzido no vale do Douro e após ser devidamente vinificado, ele é transportado para Vila Nova de Gaia em caminhões-tanque (antigamente eram em pipas dentro de embarcações mais simples, chamadas de barco rabelo), onde amadurece e envelhece oxidativamente até estar pronto para ser exportado pela cidade Porto. Aliás, embora as uvas sejam cultivadas em Douro e o vinho amadureça na Vila Nova de Gaia, ele ficou conhecido pelo nome da cidade que o exportava para o mundo – Porto.

O vinho do Porto é produzido mediante a sangria do vinho tinto parcialmente fermentado. Após uma prévia prensagem (e nas regiões mais tradicionais, ainda há a pisadura das uvas em tinas) para a extração dos pigmentos e dos taninos, o mosto vai para um tanque para iniciar o seu processo de fermentação e receber a adição da aguardente vínica. Caso esta adição seja feita no meio da fermentação, dará origem a um exemplar bem doce e forte; caso seja feita mais para o final da fermentação (quando quase todo o açúcar foi transformado em álcool), dará origem a um vinho igualmente intenso, porém mais seco.

O vinho do Porto é um dos mais antigos do mundo (ele foi o primeiro vinho engarrafado com uma data – 1775) e, à época, a tecnologia não era a mesma. Hoje, a produção e o transporte dos vinhos do Porto beneficiam-se de algumas facilidades que os tempos modernos trouxeram.

Normalmente o vinho do Porto tem um teor alcoólico elevado (entre 19° a 22°) – bem mais elevado que o dos licorosos – são tintos e incorporam diversas cepas de uvas (como a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão). É possível, contudo, encontrar exemplares brancos feitos com um blend de uvas brancas, entre elas a Viosinho, a Gouveio e a Malvasia fina, que resultam em um vinho do Porto igualmente interessante.

Existem vinhos como o do Porto no Brasil? E eles valem a pena?
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Como dito, os licorosos são as variedades que, no Brasil, mais se assemelham ao vinho do Porto, por serem de sabor intenso, doce e de alto teor alcoólico. Não é raro encontrar pelo menos um exemplar desse tipo de vinho produzido pelos produtores brasileiros, do Vale do São Francisco à Serra Gaúcha. Porém, essa não é a variedade de vinhos mais explorada e consumida nacionalmente.

Como é de se assumir, os produtores brasileiros não podem usar a expressão “vinho do Porto” pelas razões acima citadas, então é normal que se encontre à venda exemplares de “vinho licoroso” que é a definição legalmente admitida.

Serão vinhos mais fortes, brancos ou tintos, e, em relação ao teor de açúcares totais, serão classificados como seco (até 20 gramas de glicose por litro) ou doce (superior a 20 gramas de glicose por litro).

Apesar de serem menos prestigiados que outros de maior renome, os vinhos licorosos brasileiros merecem a consideração dos apreciadores de vinhos brasileiros: há diversos exemplares de boa qualidade e cujo sabor forte e doce costuma agradar em cheio o paladar de uma boa parcela da população.

E como devo bebê-los? Dá para harmonizar?

Os vinhos licorosos são servidos mais frios (os tintos em torno de 14° e os brancos em torno de 10°) e há quem os deguste como aperitivos, antes da refeição principal, como sobremesas, com sobremesas ou até como digestivos, após a refeição.

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Para harmonizá-los, sugerem-se os frutos secos, queijos fortes e salgados (como os queijos azuis) e embutidos (como bacon, presunto cru, copa). Já com as sobremesas, as apostas são os chocolates meio amargos e amargos, in natura ou em sobremesas como brownies, bolos ou petit gateaus. Outra boa dica é combiná-los com tortas de nozes, amêndoas e castanhas.

Não é raro utilizá-lo como ingrediente, seja no preparo de carnes, seja no preparo de sobremesas (principalmente com frutas), para conferir-lhes toda a riqueza de sabor que possuem.

Já bebeu um vinho licoroso? E um vinho do Porto? Prove essa variedade de vinho sozinho e acompanhado, com aperitivos ou lado de uma refeição! Acredite: será uma experiência sensorial nova e interessante!

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