Vitrine dos Vinhos
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04/09/2016

Vinhos finos e de mesa… na prática, tem diferença?

Categoria:  Artigo

Vinho fino e vinho de mesa

A qualidade de um vinho está diretamente relacionada à uva.

Obviamente que há uma diversidade de outros fatores que poderão influenciar nas características finais dessa bebida, no entanto, é a uva que carrega todo o potencial do que poderá ser (ou não) um bom vinho.

Apesar da criatividade brasileira e das inúmeras formas de “vinhos” que encontramos à venda (vinho de pêssego, vinho de jabuticaba, vinho de maçã…), vinho é uma bebida feita a partir da fermentação da uva, e tão somente.

Apesar da criatividade brasileira e das inúmeras formas de “vinhos” que encontramos à venda (vinho de pêssego, vinho de jabuticaba, vinho de maçã…), vinho é uma bebida feita a partir da fermentação da uva, e tão somente.

Considerando isso, no Brasil, há 2 (dois) tipos de vinhos que são comercializados (e que estão legalmente previstos): o vinho de mesa e o vinho fino.A diferença entre eles está, antes de qualquer outra coisa, na uva.

O vinho de mesa é feito a partir de uvas americanas ou híbridas (espécies: Vitis labrusca, Vitis bourquina, Vitis aestivalis, entre outras). Os nomes dessas uvas (Niágara, Isabel, Concord, Bordô…) são bem populares entre a maioria dos brasileiros, pois são as mesmas uvas vendidas para o consumo direto nos mercados, para a elaboração de sucos, entre outros produtos.

O vinho fino é feito exclusivamente com uvas europeias (espécie Vitis vinifera) e seus nomes (Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc, Malbec…), apesar de menos populares do que os anteriores, estão, cada vez mais, sendo dominados nacionalmente.

Uvas_Americanas

Em termos gerais, as uvas americanas ou híbridas são um pouco maiores e tem a casca mais macia. As videiras são mais resistentes às condições climáticas adversas e às pragas em geral, de modo que produzem uvas com mais facilidade e abundância.

Uva_Pinot_Noir

Já as uvas europeias são um pouco menores e possuem uma casca mais resistente. Quanto às videiras, elas são exigentes, pois precisam de boas condições climáticas e estruturais para proporcionarem boas uvas e, com isso, bons vinhos.

Ou seja, os vinhos finos precisam que as suas uvas sejam cultivadas e manipuladas observando condições bem específicas de clima, de solo, de colheita e de produção, a fim de que elas transmitam, com êxito, as suas características ao produto final (foi essa dificuldade em cultivar e produzir vinhos com uvas europeias que fez com que as uvas americanas ganhassem, desde 1840, um espaço cativo nas terras e nos lares brasileiros).

Mas e na prática, tem diferença?

Sim. É evidente que se a matéria-prima (a uva, no caso) é diferente uma da outra, o processo de elaboração do vinho e o seu sabor final, também, será diverso.Os vinhos de mesa feitos exclusivamente com uvas americanas ou híbridas costumam ter aroma e sabor rústicos e semelhantes ao da própria uva. Costumam ser (não é regra!) mais adocicados e geralmente o envelhecimento da bebida se dá na própria garrafa. Quando há uma mistura de uvas americanas e europeias, o vinho se torna mais complexo e pode passar para um outro nível em termos de aromas e sabor. Contudo, o primeiro tipo (que também é conhecido como vinho colonial ou de garrafão) ainda é mais comum e mais fácil de ser encontrado, sobretudo em eventos populares.

Já os vinhos finos costumam ter aromas diversos (de flores, de outras frutas, de especiarias…) e o sabor, adocicado ou não, é mais complexo. A uva europeia, por sua estrutura química própria, permite que o vinho envelheça em barris de carvalho, inox, além da própria garrafa, processos que interferem nas características finais do produto.

Vinho_de_garrafao_ou_colonial
Barris_de_carvalho_frances_vinho

Sim. É evidente que se a matéria-prima (a uva, no caso) é diferente uma da outra, o processo de elaboração do vinho e o seu sabor final, também, será diverso.Logicamente, o preço de custo de cada um desses vinhos irá acompanhar todo o investimento que é feito em cada etapa do processo de elaboração dos vinhos (ou seja, do cultivo até o engarrafamento).

São, de fato, 2 (dois) tipos de vinhos diversos e que servem públicos igualmente distintos. Um tipo de vinho não promove e nem é inferior ao outro e ambos devem ser direcionados, da forma correta, para o público que os aprecia.

Só tem “vinho de mesa” no Brasil?

É possível que se faça vinho com uvas americanas em outros lugares, mas com o mesmo impacto que tem esses vinhos para os brasileiros? Não.O vinho de mesa não tem representatividade internacional, muito embora seja possível encontrar o termo “vinho de mesa” sendo empregado em outros países (o antigo Vin de Table, na França, Vino de Mesa, Espanha e Vino da Tavola, na Itália, por exemplo). Nesses casos, os vinhos podem receber tal denominação por não possuírem uma origem geográfica determinada, ou por não seguirem um determinado protocolo de elaboração de vinhos, ou, até mesmo, por serem considerados de qualidade inferior. Porém, todos eles são feitos com uvas europeias.

Imagem_Vinho_fino_de_mesa

Uma particularidade prevista na legislação brasileira é a possibilidade de inserir o termo “de mesa” nos rótulos dos vinhos finos, o que, não raro, gera uma certa confusão. Mas, mesmo nesses casos, o “vinho fino de mesa” é elaborado com uvas viníferas, tão somente.

E por que o vinho de mesa ainda é mais popular no Brasil?

Pode ser por qualquer uma dessas razões, por todas ou por nenhuma delas: sabor mais adocicado e de uva (portanto, familiar ao paladar), preço mais em conta e grande circulação no país (por conta de um cultivo mais fácil e de uma produção abundante).Seja qual for e não querendo ser tão redundante, o fato é que o vinho de mesa ainda ocupa um espaço de destaque na mesa dos brasileiros. Aliás, segundo a UVIBRA (União Brasileira de Vitivinicultura) , no ano de 2015, foram comercializados no país cerca de 208,8 milhões de litros de vinhos de mesa e por volta de 19,8 milhões de litros de vinhos finos no mesmo período, ou seja, quase 10% em relação ao primeiro.

Considerando essas informações, desprezar ou menosprezar o impacto dos vinhos de mesa hoje é ignorar o gosto da grande maioria dos brasileiros e dificultar a introdução dos vinhos nos seus hábitos alimentares e, porque não, nos seus hábitos culturais. Veja bem: não há “melhor” ou “pior” quando se trata de paladar (ou de satisfação) e a diferença entre esses vinhos, muitas vezes, está mais na denominação do que no bom sabor.

Porque sim, é possível fazer excelentes vinhos de mesa e vinhos finos, assim como é possível produzir produtos bem inferiores com ambos. O diferencial está sempre na qualidade da produção dessa bebida e, também, nas intenções de quem quer produzir vinhos que valham a pena, independentemente das classificações.


Fonte: UVIBRA

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